domingo, 30 de setembro de 2012

Delírio Oculto





No silêncio dos vistos urbanos
sofro a petição de meu instinto
procuro a presa
não aceito qualquer uma
tem que me satisfazer
desde o olhar até o penetrar.
Sob um luar suspeito e evasivo
banho-me de desejos.
Na plenitude orgástica
perco-me
e retomo depois dos variantes e viajantes
Imaginados nos sentidos,
a vida.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Amor de Alma




No céu partículas parecem se mexer formando o azul
a junção dá a ilusão visual da cor.
Em mim gotas caem de sua existência
sob a ciência sabida que você subsiste
formando um oceano de esperança
em busca de um amor puro, além do instinto
um amor de alma
de cuidado
de zelo
de proteção.
Um amor correspondido, mútuo.
Um amor nosso,
anímico.

sábado, 22 de setembro de 2012

Ausência Presente




Era para ser
desejamos,
marcamos,
mas, só era para ser.

Toque,
beijo,
carícias,
erupção pujante
mas, só era para ser.

Meu corpo
em seu corpo
seu corpo
em meu corpo
minha mente em você
e sua mente vagueando
pelo então desconhecido.

Meus olhos procuravam os seus
os seus estavam à procura
mas, não dos meus.

Nessa busca
encontrei a razão
e nela me perdi
porque só era para ser
entretanto, não foi.

No regresso,
dois corpos perdidos
eu em você
você em algum lugar
mas, não em mim.

Era para ser.
Mas não há ledice
se não houver cumplicidade.
E só há cumplicidade
quando ambos se encontram
ou se perdem em recíproca mútua
com a mesma avidez.

Era para ser.




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sofreguidão Erótica



Lugar ermo.
Grilos cantam
enaltecendo o momento
abrilhantando o silêncio
encantando-nos
enquanto as estrelas piscam
festejando nosso encontro.
Olhares.

Os braços encontram-se
as mãos entrelaçam
os corpos se atraem
as bocas se chocam
língua nos lábios
lábios na língua.
Beijos.

As pernas roçam
sobem
descem
cruzam
flexionam-se 
instigando a umidade.
Abraços.

Roupas caem
pescoços lambidos
orelhas mordidas
seios sugados
umbigo atraído.
Sucção.

Não se ouvem os grilos
não se veem as estrelas
não há mais silêncio.
Gemidos,
gritos
o vai
o vem
sem tempo para destravar.
Erógenos.

Os corpos unos pelo instinto selvagem
guiados pelo desejo 
acariciados pela volúpia
sobrepujam o clímax
rendidos um ao outro
por alguns instantes de prazer
inconsequentes,
tresloucados,
múltiplos.
Gozos...

Brisa fria.
Chronos sinaliza.
Os grilos retornam o canto.
A idealidade submete-se à realidade.
Razão.







sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Luto

O que irei compartilhar agora, passa longe de uma deliciosa ilusão, pois é algo concreto, real e triste.

Há pessoas tão especiais que parecem anjos na Terra e que por isso nos deixam cedo.
Tais pessoas, são incapazes de magoar alguém em sua vida.
Meu tio João era assim.
Ontem, 13 de setembro de 2012, foi o último dia de vida dele aqui conosco.
A dor é tão grande, que parece sucumbir meu ser, enfraquecendo meu corpo, inundando meu rosto de lágrimas por saber que não o verei mais.



... (choro, choro)... sem palavras...




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Busca silenciosa




No silêncio do quarto
olho para um lado,
olho para o outro
e nada encontro,
além dos móveis
sem vida,
quietos.
O som do relógio na parede
mostra que o tempo não para
e que o calor que anseio ter aqui
é frio.
Meus toques em solidão
excitam-me,
deliram-me,
transcendem-me
aquecem-me adentro
esfriam-me a fora.
Lampejo,
desejo,
sol,
apelo meu,
presente seu.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Presa Fácil




Em seus braços sinto segurança
enquanto fora deles me perco como em um labirinto.

Em seus braços sinto aroma primaveril
enquanto fora deles o frio invernal assola-me
resfriando o calor do Ser.

Em seus braços é como se o tempo acelerasse
o que gostaria de eternizar.

Em seus braços a essência da vida torna-se evidente
enquanto fora deles não há razão de existência.

Em seus braços encontro guarida
para viver em dualidade no jardim de nosso mundo,
cúmplices, íntimos e mútuos
fora deles sou só o 'eu'.

Em seus braços sou a presa
fora deles, sou fera intocável
que para tê-lo ao lado torna-se frágil
faz-se até domável
para gozar as muitas primaveras
envolvida por tais braços.




sábado, 8 de setembro de 2012

Amor Possessivo - Ele Me Amou




Ele me amou.
Éramos dois adolescentes 
na descoberta da vida a dois.
Eu, uma menina pícara enclausurada,
ele, um rapaz sério e sonhador.
Ambos redescobrindo o corpo
o desejo,
a libido,
a si próprios.

Ele me amou.
Ríamos das entradas erradas
das cócegas instigantes
e acanhados tocávamos-nos no escuro.
Tudo era novo, gostoso, virgem.

Nele despertei o amor
a cumplicidade
o companheirismo
o sentimento de 'posse'.
Em mim, despertei a mulher
o instinto animal
a fome insaciável
a felina indomável.

Ele me amou
de forma possessiva
seu amor afastou minha tenção
meu desejo
minha vontade de viver
lançando ao vento meu sentimento
deixando na lua o que julgava ser sua:
minha identidade.

Ele me amou
mas eu não o amei
e na realidade dos fatos
larguei seus braços
que dantes carinhosos
doravante agressivos
deixaram o juízo
para comigo findar.
Hoje em outro colo repousa
aquele que um dia
jurou-me amar.
E eu, sozinha, caminho
com os frutos dessa descoberta
aliada à solidão
mas satisfeita por desvendar
a mulher guerreira que existe em mim.

Ele me amou,
mas eu não o amei
entretanto apaixonei-me pela independência do meu eu.







terça-feira, 4 de setembro de 2012

Plenitude Copular


Respira
inspira
expira.
Olhos libertinos
suspeitos.
Toques
carícias
sorrisos tímidos.
Olhos fechados
sentidos.
Beijo
lábios nos lábios
mordidas leves.
Mão na nuca
arrepio ousado
volúpia ardente.
Quimera!
Transcendência!
Prazer!
Calmaria.
Respira
inspira
expira
ciclo múltiplo.
Ledice
Sono
sonho.



domingo, 2 de setembro de 2012

Inocência Perdida




Gostaria de voltar à inocência
sorrir sem me preocupar com o que irão pensar de mim
viver como se homens maus existissem só na ficção
como se todas as pessoas fossem amigas.

Gostaria de voltar à inocência
pensar que todos os sonhos podem se realizar
acreditar que o amor é único e eterno
que família é só uma, a primeira.

Gostaria de voltar à inocência de outrora
e viver como se a aurora fosse para sempre.
Gostaria de regressar à mente inocente
e nela me prender para nunca mais sofrer!

Gostaria de voltar à inocência.



*Imagens: Google