quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cheiro do Pecado



Dizem que o pecado tem cor
dizem que é vermelho,
para mim, ele não tem cor
ele tem cheiro, o seu cheiro!
Quando inalo,
transcendo a matéria
abrindo-me para você.
Nesse ato
viro devassa
agarro
aperto
solto
empurro
viro
volto
uivo
puxo
falo
gemo
jorro
aleatoriamente
mutuamente
umedecendo-me por inteiro
não pensando em nada
que não seja você
e a plenitude do desejo
eu em você
você em mim.






segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Tarde Demais




Enquanto eu esperava um olhar seguido
de uma palavra de saudade,
tu vagavas em outros campos com outras flores.
Ao perceber que nenhuma delas te entendia como eu entendo,
vieste procurar-me,
mas chegaste tarde.
Tarde, não porque já deixei de amá-lo,
tarde, não porque já amo outro,
Mas tarde porque aprendi a amar a pessoa do outro lado do espelho mais do que a qualquer outra.
No início doeu, mentiria se dissesse que não,
aliás, ainda dói nas reminiscências

(essa voz deliciosa em meus ouvidos,
esse cheiro másculo em meu olfato,
essa pele alva em meu corpo,
esse instinto cálido junto ao meu...)

Superei!
A cicatriz que hoje tenho
servirá para lembrar-me de valorizar o 'eu'
antes de amar outro alguém como amei você!



sábado, 25 de agosto de 2012

Brisa






Sinto na brisa que toca meu rosto a esperança de amar novamente
ou de simplesmente amar em recíproca apetecida alguém que mereça esse amor.




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Carência



Estou carente dessa voz sussurrante em meus ouvidos,
desses dedos dedilhantes em meus cabelos,
desse beijo quente em minha boca,
desse seu calor em meu corpo.

Eu estou carente de você!

Minha carência envolvente
instiga desejos alheios
ao esvair feromônio por você.
Venha, venha me ver!

Eu estou carente de você!




domingo, 19 de agosto de 2012

Domínio Noturno





Seu respirar rompe o silêncio da noite
fazendo-me sentir seu calor
envolvendo-me com seu aroma
intumescendo meu seio,
aquecendo meu colo,
instigando meu desejo,
deixando-me com água na boca!
Meu corpo grita por você
cálido anseia mais que o toque
arrepios antecedem o gozo
seu olhar penetra-me com seu corpo
o êxtase domina a razão
não penso em  mais nada
a não ser na satisfação de meu ser,
e em você, meu Baco.







quarta-feira, 15 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escravidão



Antes de seu casamento com Carlos Rendes, Cris Ellen viveu várias aventuras que  ficaram mascaradas na figura de uma dama. A primeira  delas ocorreu quando retornava de seu trabalho para casa na condução habitual. Cris viajava tranquilamente quando ao olhar para o retrovisor seus olhos encontraram os do motorista. Ruborizada, abaixou sua cabeça e por vezes voltava seu olhar na direção do retrovisor em busca daqueles olhos penetrantes que no meio de tantos passageiros, cismou logo com os seus. Naquele dia, devido a troca de olhares, Cris esqueceu de descer no ponto como de costume e quando deu por si estava sozinha com o motorista que a enfeitiçou com aquele olhar. De repente  o veículo parou:

- Minha querida, sente-se aqui no banco da frente, percebo que está tensa, posso ajudar? - Disse o tal motorista olhando com ar misterioso para Cris.
- Não, obrigada, estou bem. - Respondeu com a voz trêmula.

Sem esperar a frágil moça terminar sua fala, aquele motorista saiu de seu lugar e foi até ela. Despojado sentou-se ao seu lado e começou a deslizar as mãos sujas de graxa em seu delicado corpo, Cris receosa mas fascinada pelo jeito macho daquele homem e não sabendo o porquê, mas envolvida pelo cheiro de graxa, foi sentindo algo diferente dentro de si, um arrepio no corpo todo e principalmente uma sensação de umidade incontrolável, ficou excitada! Entre um toque e outro, gemidos, sussurros de prazer, arrepios,  vislumbramento por algo ainda não sentido por ela; aquelas mãos navegando em seu corpo, uma no cabelo e a outra na virilha, quanto mais ele tocava indo, mais ela vinha, seus olhos como de uma felina olhavam para aquele macho, que já hipnotizado queria colher do que havia plantado naquela mente feminina pedindo mais, mais e mais das empolgadas cavalgadas, de suas chupadas, de suas sugadas, de suas loucuras, de sua entrega. Enquanto ocorria esse voluptuoso momento dentro do coletivo, pessoas trafegavam pela rua e estranhavam o movimento do mesmo com um vai e vem, mas não se atreviam a ver o que realmente acontecia dentro daquele veículo que, mesmo com insulfilme, resmungava com suas janelas suando, seus vidros embaçados e seu aspecto cansado. Mas ninguém podia ajudá-lo, afinal seu suposto dono estava dentro dele. Então nada mais a fazer do que esperar. A essa altura, Cris Ellen, não era mais a pacata passageira, mas a mulher descoberta por aquele motorista, uma mulher faminta pelo instinto e que se deixou levar pela insanidade momentânea do cheiro de graxa daquele homem que, ao contrário do que parecia no início, transformou-se em seu escravo.





sábado, 11 de agosto de 2012

Banquete Angelical


Como anjo banha-me com óleo celeste
acalma meu instinto faminto por ti.
Durante meu sono, venhas e banha-me
porque se vieres em meio ao dia
não fugirás de minha fome
serás meu banquete,
meu prato principal
com entrada aperitiva aromática de desejo
e sobremesa saborosa de gemidos.
Correrás esse risco?



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Rendição


Não, não vou me render
àqueles olhos verdes
como matas paradisíacas
e florestas selvagens!

Não, não vou me render
àquele aroma amadeirado
junto ao frescor matutino
envolvendo meu sentido!

Não, não vou me render
àqueles jeito interiorano
de macho provocante
todo amante!

Não, não vou me render
àqueles braços aconchegantes
e acolhedores
aquecendo-me no inverno!

Não, não posso me render
pois nunca deixei de pertencer!








terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amante



Reclinada em meu leito
anseio seu calor
seu toque em minha pele nua
subindo dos pés à boca
degustando meu corpo
puxando meus cabelos
abduzindo minha razão
entrelaçando meus dedos
fundindo os lábios
mordendo o desejo
jorrando prazer
pairando nas ondas da liberdade
do mar transcendente do Ser.
Eu quero você!







sábado, 4 de agosto de 2012

Mechas



Meu cabelo
Suas mãos
Minhas mechas
Seus dedos
Arrepios
Carícias

Eu fora do ego
Expiro
Você dentro de mim
Inspira
Alma em mecha.

Glória em senti-lo!
Inglória não tê-lo.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Segredo de Uma Entrega Total





Aquela parecia uma noite de amor igual as demais, Carlos Rendes buscando-a no trabalho para levá-la em casa como de costume. Ao entrar no carro Cris Ellen foi surpreendida por um beijo como há muito não acontecia. Seu marido sugou-a com tanta volúpia que não parecia o mesmo homem com quem convivia há 10 anos. Achou estranho e só soltou um '-Hum que delícia!' para não quebrar o encantamento e, seguiram calados, mas com ar de expectativa, pois algo estava diferente. Depois de anos, Cris Ellen via seu companheiro tratá-la com prazer, uma ledice que só aconteceu nos primeiros meses do romance. Quis então aproveitá-lo e decidiu dentro de si, em um monólogo interior, que faria tudo com entrega total, sem reservas, pois afinal ele é seu amor, seu homem, seu macho! Quando entraram em casa, Cris Ellen foi ao toalete trocar de roupa e colocar uma lingerie. Qual a surpresa quando saiu:  Carlos Rendes estava nu! Vestia apenas uma cueca vermelha. Espantada  refletiu mais uma vez no que poderia estar acontecendo. Mas isso ficou só no pensamento, afinal, queria sentir tudo que parecia estar por vir. Conversaram alguns assuntos do dia e inesperadamente ele tocou seus seios entumecidos com os lábios, arrepiou-a por inteiro, provocando umidade desde 'em cima até embaixo', e Cris Ellen babou e, babou e babou! Ai... Em seguida Carlos Rendes foi descendo e beijando e descendo e sugando... A mulher ainda não acreditava no que acontecia: 'Meu homem, acariciando-me por inteiro sem apelar para as rapinhas do dia-a-dia ou por um acessório para apimentar. O que havia acontecido?' - pensou  até chegar a uma conclusão: '- Vou aproveitar cada momento como se fosse o último, pois não sei o que ocorre, mas sei que é gostoso demais!' Foi quando começou a deliciar aquele homem que amava, mas que pelo cotidiano haviam se afastado de momentos como aquele. Sua entrega foi total, a cada beijo um aspirar fundo e satisfatório, cada carícia por mais selvagem que fosse era bem-vinda, variavam as posições sem falar, conversavam com o olhar, seus corpos formavam um outro corpo uno de dois, um terceiro ser capaz de transcender a razão e ecoar emoções pelos poros, pelo respirar, pelo vai, pelo vem, pela intensidade, mas principalmente, pelo desejo de estar um no outro inteiramente com as químicas naturais que dantes possuíam muito e, que pelo comodismo, deixaram de produzir com mais frequência, Entretanto, naquele momento afloraram e como afloraram! E mais... naquele instante conheciam-se mais a si mesmos podendo reconhecer-se um no outro e reciprocamente doar-se por inteiro! Ficaram deliciando-se durante toda a noite e só deram conta da hora com o raiar do sol que penetrava pela brecha na janela. Ambos não acreditavam que pudessem se amar daquela forma incessante, mas Carlos Rendes confessou para Cris Ellen o que havia acontecido, um amigo havia perdido sua esposa naquele dia em um acidente de carro vindo à óbito na hora. No instante em que viu seu amigo sofrendo a dor de sua perda, ocorreu-lhe que o mesmo poderia ter acontecido consigo. Com isso, foi desesperadamente ao encontro de Cris Ellen para amá-la na esperança de nunca perdê-la.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saudade, fica.





Pela correnteza do rio,
flutua a imagem,
pelo leito a fora vai se desfazendo
enquanto voga,
esvai a essência saliente
daquele que não teima ser o meu amor
Vai-se.
 Adormecendo a sensação
e deixando vestígios em uma saudade.
Fica.



*Imagens: Google