quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Segredo de Uma Entrega Total





Aquela parecia uma noite de amor igual as demais, Carlos Rendes buscando-a no trabalho para levá-la em casa como de costume. Ao entrar no carro Cris Ellen foi surpreendida por um beijo como há muito não acontecia. Seu marido sugou-a com tanta volúpia que não parecia o mesmo homem com quem convivia há 10 anos. Achou estranho e só soltou um '-Hum que delícia!' para não quebrar o encantamento e, seguiram calados, mas com ar de expectativa, pois algo estava diferente. Depois de anos, Cris Ellen via seu companheiro tratá-la com prazer, uma ledice que só aconteceu nos primeiros meses do romance. Quis então aproveitá-lo e decidiu dentro de si, em um monólogo interior, que faria tudo com entrega total, sem reservas, pois afinal ele é seu amor, seu homem, seu macho! Quando entraram em casa, Cris Ellen foi ao toalete trocar de roupa e colocar uma lingerie. Qual a surpresa quando saiu:  Carlos Rendes estava nu! Vestia apenas uma cueca vermelha. Espantada  refletiu mais uma vez no que poderia estar acontecendo. Mas isso ficou só no pensamento, afinal, queria sentir tudo que parecia estar por vir. Conversaram alguns assuntos do dia e inesperadamente ele tocou seus seios entumecidos com os lábios, arrepiou-a por inteiro, provocando umidade desde 'em cima até embaixo', e Cris Ellen babou e, babou e babou! Ai... Em seguida Carlos Rendes foi descendo e beijando e descendo e sugando... A mulher ainda não acreditava no que acontecia: 'Meu homem, acariciando-me por inteiro sem apelar para as rapinhas do dia-a-dia ou por um acessório para apimentar. O que havia acontecido?' - pensou  até chegar a uma conclusão: '- Vou aproveitar cada momento como se fosse o último, pois não sei o que ocorre, mas sei que é gostoso demais!' Foi quando começou a deliciar aquele homem que amava, mas que pelo cotidiano haviam se afastado de momentos como aquele. Sua entrega foi total, a cada beijo um aspirar fundo e satisfatório, cada carícia por mais selvagem que fosse era bem-vinda, variavam as posições sem falar, conversavam com o olhar, seus corpos formavam um outro corpo uno de dois, um terceiro ser capaz de transcender a razão e ecoar emoções pelos poros, pelo respirar, pelo vai, pelo vem, pela intensidade, mas principalmente, pelo desejo de estar um no outro inteiramente com as químicas naturais que dantes possuíam muito e, que pelo comodismo, deixaram de produzir com mais frequência, Entretanto, naquele momento afloraram e como afloraram! E mais... naquele instante conheciam-se mais a si mesmos podendo reconhecer-se um no outro e reciprocamente doar-se por inteiro! Ficaram deliciando-se durante toda a noite e só deram conta da hora com o raiar do sol que penetrava pela brecha na janela. Ambos não acreditavam que pudessem se amar daquela forma incessante, mas Carlos Rendes confessou para Cris Ellen o que havia acontecido, um amigo havia perdido sua esposa naquele dia em um acidente de carro vindo à óbito na hora. No instante em que viu seu amigo sofrendo a dor de sua perda, ocorreu-lhe que o mesmo poderia ter acontecido consigo. Com isso, foi desesperadamente ao encontro de Cris Ellen para amá-la na esperança de nunca perdê-la.


15 comentários:

  1. Jacqueline, lindona!
    Tudo bem?

    Muito bem descrito, narrativa perfeita e muito visual, de fato, você domina a técnica narrativa, pois além de descrever, nos deixa imaginando outro tanto, não 'entrega o jogo', como se diz.
    E o final é bem interessante, e nos dá uma lição sobre a brevidade da vida.

    Beijos e ótimos dias!

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    1. Cissa, tenho aprendido com vocês meus amigos que dominam a escrita, pois saber só não adianta, ajuda, mas não é o suficiente, precisa-se de interagir técnicas, conteúdos e 'manhas'. Espero algum dia ser uma contista semelhante a você.
      Obrigada de coração,

      Desejo o mesmo para ti, minha flor.

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  2. Jaque querida! Fiquei sem fôlego! Lindo! Sensual, ardente, e sem vulgaridade! Cheio de amor! E que declaração! UAU! Dia 07 de agosto é aniversário de um (01)ano do Blog! Espero você! Obrigada pelo carinho e pelos comentários sempre tão gentis!
    Um abençoado e feliz final de semana!
    Abraço carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

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    1. Eliane, minha linda!
      É uma declaração e tanto!
      Podemos falar de qualquer tipo de assunto sem sermos vulgares, há pessoas que apelam, esse não é meu caso. Gosto de manter o nível de meu blog, afinal meus leitores são de alto nível, como você!
      Obrigada por vir. Estarei no aniversário de 'De Dentro Pra Fora' com certeza!

      Bjoks

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  3. Uma delícia de texto Jaqueline! Lindíssimo! bjs

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  4. Muito belo,,nada mais puro e envolvente do que uma entrega de corpo e alma....beijos de bom final de semana pra ti amiga...

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    1. Meu caro, a entrega de corpo e alma é pura e completa!
      Desejo o mesmo para você.

      Bjoks

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  5. Oi Jaque
    Nossa, que texto de tirar o fôlego! Com um final surpreendentemente emocionante que nos faz refletir. Adorei mais uma vez!
    Bjão. Fique com Deus!

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    1. Lu, às vezes, criamos ilusões deliciosas em nossa mente pelo fato de o cotidiano afastarmos do nosso companheiro, mas quando algo real acontece como uma perda, despertamos para a realidade e procuramos tornar a ilusão em vida real vivida intensamente.

      Bjoks

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  6. entrei comentei e desculpe; sou agora seu seguidor...esqueci sorry!
    muito grato por sua participação lá no meu canto colega!

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    1. Em recíproca, como é meu costume já retribuí.
      Obrigada mais uma vez, ;)
      Bjokitas

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  7. Jaque, de todos os contos da Ellen (vc sabe que não são todos)esse ficou redondinho. Explico: Vejo você soberana em todos os meandros narrativos. Segurando um climax da estranheza de Ellen sobre o porquê de tal atitude do marido. Até o final fiquei até a imaginar um quê de culpa do Carlos e por isso tanto esmero. Veja, meu olhar já tem uma vertente mais cínica dos relacionamentos. Talvez porque não tenha lido todos os contos da Ellen e não conhecesse a personalidade de Carlos. Ellen por sua vez está inteira ai, ela sente toda a intensidade de sua sexualidade e do desejo desse marido premido pelo cotidiano. Os jogos de sedução quando beiram a forçação (engraçado essa palavra, é a primeira vez que a uso, dois ç rsrsr tive até que buscar no santo google o modo como era usado) de barra dos brinquedos sexuais para quebrar a rotina, para mim, só se vieram acompanhados de uma "brincadeira ludica" mesmo e não como algo sério, como algo que vai salvar seu relacionamento (quando isso é encarado desse modo, acho de uma ridicularidade patética).

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*Imagens: Google