sábado, 21 de julho de 2012

Amadurecimento



Em uma cidade do interior mineiro vivia Aryane, uma menina muito alegre, delirante e obsoleta , que pensava ser esperta, mas só pensava! Sua ingenuidade não lhe permitia ser. Mal matutava já havia feito ou falado algo que lhe constrangia deixando-a em maus lençóis por consequência. Enfim, era muito impulsiva. Sua imaginação era muito fértil, vivia conversando com Lisa, uma amiga que só ela enxergava. Passavam a maior parte do tempo brincando de ver placas de carros, o número 55 era o predileto de Aryane, significava 'ele te ama'...rs... coisas de crianças, mas até certa idade! Pois é, a pequena crescia e com ela Lisa, mas nada era diferente. O corpo de ambas já apresentava características de mulher, os olhos masculinos já cobiçavam Aryane, que por sua vez não os enxergava. Sua mente era pura, sem mácula e sem maldade, cândida até que em um encontro de jovens em sua comunidade seu olhar abalroou no olhar de Dinho, um músico quatro anos mais velho do que ela. Foi amor à primeira vista, Aryane estava com quinze anos, mas escondeu esse sentimento novo de Lisa, tinha receio que sua amiga brigasse com ela. Mas como resistir a algo vindo sem querer? É! Sem querer! Aryane e Dinho viviam um amor cândido, sentido apenas no olhar e cada vez que se encontravam Lisa ia ficando de lado, mas não reclamava somente afastava-se. Vendo sua amiga esvair-se no tempo com outra pessoa, mas era amiga e amigos não reclamam, não cobram, apenas são amigos e só! Aryane não percebia que perdia sua amiga a cada encontro com Dinho. Somente deliciava cada momento com o novo, com o amor. Dinho havia penetrado em seus poros, entranhado em sua carne de tal forma que não mais respirava sem pensar nele. Bailavam buliçosamente no ritmo orquestrado pela natureza amorosa, ambos se descobriram, desnudaram-se em sentimento mútuo devastando qualquer obstáculo que se opusesse a eles. Amaram-se. E nesse amor, Lisa desapareceu. Nunca mais Aryane a viu. Mesmo quando rompeu com Dinho, Lisa não apareceu. Foi quando percebeu que havia crescido, desabrochado e amadurecido a ponto de deixar a ingenuidade para trás, Lisa.



8 comentários:

  1. Oi Jaque
    Belo texto, já estou me acostumando a frequentar seu cantinho. Hoje em dia mais meninas estão perdendo a ingenuidade mais cedo ainda, isso é triste na minha opinião, pois perdem a fase mais bela da vida, a infância, ainda bem que seu texto é uma ficção né?!
    Bjão. Feliz dia do Amigo!

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    1. Como sempre faço, Lu, mesclo situações que presencio com a ficção.
      São contos que surgem através de alguma experiência de algum conhecido, bjoks.

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  2. Olá!Boa noite!
    Tudo bem, Jaque?
    ...vejo no seu belo texto um realismo puro, que nos devolve ao mundo atual: muitas perdem a Lisa muito cedo...falo da ingenuidade perdida ao longo do tempo, e seu viés mais comprometedor, a de cria pessoas românticas em excesso, sem visão crítica, fúteis e irreais, apesar de crer , também, que sem ingenuidade a vida perde sua magia e seus mistérios...
    Obrigado pelo carinho de sempre!
    Bom domingo!
    Beijos

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    1. Concordo com vc, caro amigo e agradeço seu aplaudido comentário.
      Bjoks

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  3. Que texto bonito. =) Gostei muito
    Adorei a forma como você usou a Lisa como a personificação da inocência, da ingenuidade infantil, que também é algo tão belo. Gostei de como Lisa se foi sem reclamar, pois é o fluxo natural da vida mesmo. Só não devemos perder a memória dos tempos de inocência na nossa vida, pois de vez em quando podem ser uma força que nos ajuda a seguir em frente. =)

    Beijo!

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    1. Sim, Lucas, não devemos, mas muitos perdem e se perdem no arquivo memorial.
      Fiquei honrada pela sua visita,
      obrigada.
      Bjoks

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  4. Simplesmente, adorei!
    Adorei essa forma de colocar a ingenuidade ao lado e de carregá-la até um certo ponto... a sexualidade ela sempre nos aponta outros caminhos, não é?

    AMEI seu comentário em meu blog também! Danada voce,hein? Depois disso, fiquei ainda mais sua fã..rsrs.

    Beijos.

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    1. Lu, você, hein!!! rs
      Sou verdadeira, caso não queira mostrar meu lado eu me calo...rs...
      A sexualidade é algo natural, nasce na gente e aflora com o tempo. Todos temos. E a ingenuidade é escapada sem percebermos, em meu caso, apesar de bem maliciosa, a ingenuidade dá um pulinho ali, mas volta, entendeu??? rs

      Bjoks

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*Imagens: Google