segunda-feira, 9 de abril de 2012

Preambulismo*


Dentro do que fica escrito fica o que não era para ser dito
ato falho camuflado entreouvido
liberado no fermento das palavras.
Dista do que se quer dizer
o que quase acaba dito

Não acaba de fermentar
o que quase não fica traído
pelas palavras ditas.
Não se quer dizer 
o que não se quer ser
mas deixa dito
o que queria querer
ter sido ou ser ainda.

O que não se quer ser
mal resolvido
sob disfarce insuficiente
escapado,
escorrido do querer
quase decifrado
do ser ideal a ser
suspeitado e sub-reptício.

Que fique dito o que ser
bula absoluta,
caminho,
dica,
premissa possível.
Que fique quase escrito,
que deixe pista.

Saber o que dizer
sobre o que querer
não o que acha que sabe,
envolvido no enlace
entre o que diverte querer
e o que ficar vivo.

A gente é o que quer
ou não!
A inclinação ao que seria
e teria apendido a ser em conflito
com querer dispersivo
perdido na tentativa.

Quer ser o que diria,
tido o saber
querer ser
decidido.

*Nome da doença que André (um amigo) possuía, a qual  o fazia abrir sempre parênteses, preâmbulos sem fim, em suas intermináveis histórias, cheias de "deixa eu acabar de falar" - cunhado por mim, Roberto, por Flávio e Carlos.

Autor: Roberto Esteves Siqueira 




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*Imagens: Google